domingo, 21 de setembro de 2008

Escrita: Liberdade e Medo

Ao tentar escrutinar o prólogo dos meus "devaneios" neste blogue, detive-me sobre cada palavra ja nele escrita, e "parei o tempo" para me enroscar no acto de falar com os dedos... comecei por pensar no próprio acto da escrita, e concluí que este seria o prólogo mais genuíno que poderia fazer, para que eu própria e cada um de vós compreenda os próximos posts. Então, comecei a viagem...
O que significa escrever? mais, o que pode significar escrever/dar voz à consciência?
Poderá ser uma expressão de liberdade, onde, depois de uma "introspecção controlada" sobre o Eu, o Outro, e o Mundo, partilhamos os nossos anseios mais profundos, os nossos inconformismos mais perenes, os nossos ideais... Enquanto experiência livre pode ainda ser o espelho de experiências interpessoais já vividas, no desejo de retomá-las!
Não obstante, ao acto de escrever pode estar vilmente associada uma expressão de medo... estranho? talvez não... Quantas são as vezes em que escrevemos de forma robuscada convicções de simplicidade, de felicidade possível "só com um gesto", de relações humanas ideais... e quão raras são as vezes em que "transpiramos" para o Outro cada palavra convicta que aqui expressamos? Tanto que falamos de Amor, de Vida, de Relações, e tão pouco somos capazes de transportar para fora do ecrã do pc? É certo, temos medo, "medo de perder a rédea, a pose e o prumo"... Medo, porque podemos não ser aceites pelos outros, porque podemos não ser compreendidos, porque podemos arrepender-nos... Muito possivelmente, se tivessemos coragem de SER genuinamente o que escrevemos, cada verbo, cada adjectivo, cada reticência, as relações interpessoais seriam muito mais maravilhosas, ainda que pudessem ser mais complicadas (mas talvez aí é que esteja a piada!)...

Em silêncio, mas no ruído que faz o SER e o TRANSPARECER na minha mente, emergem as palavras de um poeta... "Para ser grande, sê inteiro (...) sê todo em cada coisa"... que a cada "momento", se queremos dar voz à consciência, possamos tornar este espaço "plural, como o Universo" na expressao ab integro dos "voos" que tivemos coragem de fazer e daqueles que ainda não nos atrevemos a tentar.


1 comentário:

iS disse...

O medo... Podes crer...

Gostei muito deste post... Mesmo.

Parabéns! :o) *