
“Eu nunca te esqueceria. Eis que Eu gravei a tua imagem na palma das minhas mãos”.
Is 49, 15b-16a
Os lírios velam esta noite e conspiram por mais um segundo.
Houve sempre em mim o desejo de ser grande, de ser imenso, de ser maior. Procurei algo mais do que o equilíbrio precário nestas áleas de oceano sem fim, mais do que uma elementar acrobacia no incerto trapézio da vida. Mas hoje sei que tudo foi em vão.
– os lírios velam esta noite.
Este é, por isso, um deambular pelas confissões inauditas que ouso gritar surdamente num ouvido mudo, um sopro de pó feito de tempo gasto. Transporto-te, como um fardo, num som, numa palavra, num gesto, num olhar. Pouco mais me resta…
– e conspiram por mais um segundo.
Obrigado pelos sorrisos, pelos abraços, pelo ombro certo nas horas incertas. Obrigado por seres quem és, e por seres quem sou. Obrigado por teres estado presente, mesmo estando eu ausente. E desculpa…desculpa pelos momentos em que me esvaí por entre os liames que nos uniam, pelos momentos mortais do nosso sempiterno amplexo.
Resta-me guardar as tuas flores e deixar-te no cais, contanto que não te poderei acompanhar nesta viagem. O mar que nos cinde é curto e o tempo que nos desvia é efémero. Os lírios velam esta noite e conspiram por mais um segundo. Até sempre…
Resta-me guardar as tuas flores e deixar-te no cais, contanto que não te poderei acompanhar nesta viagem. O mar que nos cinde é curto e o tempo que nos desvia é efémero. Os lírios velam esta noite e conspiram por mais um segundo. Até sempre…
*re-cordar (corde = coração) → voltar a passar pelo coração